Experimentar os cinemas africanos: dois olhares, uma luta, subversão das diásporas

Na quinta-feira, dia 11 de junho de 2026, aconteceu no Auditório da Faculdade de Comunicação uma atividade de extensão ligada ao componente curricular Cinemas Africanos (COMC15), oferecido pelo professor Marcelo R. S. Ribeiro, contando com o doutorando Marcelo Ricardo como tirocinista. Parte do projeto Anarquivo: fórum impermanente de experimentação em audiovisual e outras artes, a atividade tinha sido amplamente divulgada e levou um total de 73 pessoas à UFBA, com destaque para um grupo de estudantes do Instituto Central de Educação Isaías Alves (ICEIA) que tinha sido especialmente convidado para a ocasião.

A atividade consistiu na realização de uma sessão comentada dos filmes Garota Negra (1966), de Ousmane Sembène, e Os Príncipes Negros de Saint-Germain-des-Prés (1975), de Ben Diogaye Beye. A ação foi desenvolvida em parceria com o professor do ICEIA, Gustavo de Oliveira Brandão (que, como Marcelo Ricardo, é doutorando do Póscom), e teve como público estudantes do curso técnico de Produção de Áudio e Vídeo do ICEIA, integrantes da comunidade acadêmica e demais interessados. O principal objetivo da atividade foi promover a difusão e o debate crítico sobre cinematografias africanas, ampliando o acesso a produções audiovisuais historicamente marginalizadas nos circuitos convencionais de exibição.

Para isso, partindo das aulas da disciplina (que, por sua vez, tiveram como base recentes pesquisas de pós-doutorado de Marcelo Ribeiro, especificamente no âmbito do projeto “Atlas de cosmopoéticas, 1950-1980: descolonização e enquadramentos coletivos na emergência dos cinemas africanos”, de 2023 a 2026, e no subprojeto “Cosmopoéticas do comum nos cinemas africanos: enquadramentos coletivos nacionalistas, pós-nacionalistas e outros nos arquivos de Paulin S. Vieyra e Ousmane Sembène”, financiado com Bolsa de Pós-Doutorado no Exterior pelo CNPq entre fevereiro e julho de 2025), foram realizadas atividades de pesquisa, curadoria, elaboração de material de apoio, mediação cultural e uma conversa com o público após a exibição dos filmes. Os estudantes da disciplina apresentaram os cineastas e suas obras, e conduziram reflexões fundamentadas nos conteúdos trabalhados ao longo do semestre.

Como resultado, a atividade possibilitou a aproximação entre universidade, instituição pública de ensino e comunidade, estimulando reflexões sobre a multiplicidade dos cinemas africanos e trazendo para o debate questões como colonialismo, racismo, migração, identidade, diáspora, liberdade e os diferentes modos de construção de narrativas e imaginários africanos. A participação dos estudantes do ICEIA contribuiu para o intercâmbio de experiências formativas entre diferentes níveis de ensino, fortalecendo o caráter extensionista da ação. Conclui-se que a atividade alcançou seus objetivos ao promover a circulação de conhecimentos sobre os cinemas africanos, incentivar a formação crítica de públicos e consolidar práticas de curadoria e mediação audiovisual como estratégias de democratização do acesso à cultura e ao conhecimento.

Release

Material de apoio

Fotos do evento

A recepção ao público no Auditório da Facom ocorreu em meio aos preparativos para as gravações.
Além da pipoca distribuída após a sessão, o público recebeu o material de apoio criado pela turma.
O público conheceu mais sobre a atividade, os cineastas e seus filmes por meio do material de apoio.
As estudantes Fabiana Correia de Sousa e Fernanda Daltro da Paixão apresentaram a sessão.
As estudantes Fabiana Correia de Sousa e Maria Clara de Oliveira Costa conduziram o debate.
Os estudantes do ICEIA e o público presente participaram da discussão dos filmes.
O professor Gustavo de Oliveira Brandão (no centro) e os estudantes do ICEIA vieram à Facom para a atividade, que todos concordaram: deve ser a primeira de muitas.

Debate

Esta atividade foi realizada pelas seguintes pessoas da turma de Cinemas Africanos de 2026.1: Aline Araújo de Sá, Ana Clara Nascimento Santos, Beatriz Souza Cruz, Blume Pereira de Miranda, Chakal Brito Santos, Clara Matos Santos dos Santos, Davi Braga Cajuí da Silva, Fabiana Correia de Sousa, Fernanda Daltro da Paixão, Flávia de Santana Santos, Gislane Uzêda da Silva, Henrique Sanders Silva, Igor Medeiros Freitas Galvão, Jaquí do Espírito Santo Ornelas, Jéssica Barreto de Souza, José Vinícius Freitas Dias, June de Oliveira Campos, Lucas Bittencourt Brito, Ludmila Santos Cerqueira, Luís Henrique Weste Nano Carvalho, Luisa Ferrari Silva Souza Campos, Maria Clara de Oliveira Costa, Maria Luísa Farias Santos, Maria Victoria de Santana Santiago, Marília da França Oliveira, Matheus Henrique de Campos, Matheus Juan Carrion de Oliveira, Midiã Alves dos Santos, Neemias Barbosa dos Santos, Renata de Morais Ramos, Saulo Mendes de Brito, Susana Veluma Santana, Theo Santos Rocha, Thiago Ribeiro de Almeida, Tiago Cauã Maia dos Santos, Yago Rodrigo Freitas Lima, Yala Ester Meira Trausi. Atuaram como coordenadores: Gustavo de Oliveira Brandão, Marcelo Ricardo dos Santos e Marcelo Rodrigues Souza Ribeiro.

Autor

  • Uma iniciativa interdisciplinar – e, potencialmente, indisciplinar e intersticial – que visa ao desenvolvimento de investigações teóricas, críticas, historiográficas, criativas e experimentais relacionadas às diferentes configurações da experiência das imagens. Criado em 2018, o GAS assume sua configuração atual em 2023, com as linhas de pesquisa Audiovisuais emergentes, coordenada por Adil G. Lepri, e Figuras na(da) história do audiovisual, coordenada por Marcelo R. S. Ribeiro.